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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Muse- The Second Law- “Não queira dar um passo mais largo que as pernas podem dar” - por Fernando Lucchesi



Quando o Muse lançou em junho a música “Survival” algo já me dizia que a vertente pop evidenciada no último álbum da banda “The Resistance” iria prevalecer. Até aí tudo bem! Era possível acreditar que apesar de deixarem de lado as influências hard rock/ heavy metal/música clássica dos primeiros discos que os consagraram. A sonoridade mais pesada, de certa forma, seria preservada. Ledo engano!
A nova guinada (para pior) do Muse se revelaria rapidamente com o lançamento do primeiro single, “Unsustainable” do novo disco, “The second Law”. A música é uma tentativa meio amalucada da banda de misturar a influência de música clássica com Kraftwerk, com vocais robóticos/computadorizados sem o menor sentido. Já foi o suficiente para esperar uma verdadeira bomba, pois “Survival” e “Unsustainable” eram músicas muito aquém do que o Muse poderia produzir.
Com o lançamento do disco em outubro minhas piores expectativas foram confirmadas, mas é possível acreditar que há salvação. Se o disco for analisado faixa a faixa será perceptível que a banda decidiu reproduzir, com muita intensidade, um som dos anos 1980 de deixar o The killers com inveja. É um sem-fim de sintetizadores e baterias eletrônicas! “ Madness” é um exemplo claro disso. Uma tentativa frustrante da banda soar “pop” talvez objetivando a execução em rádios mundo afora. “Panic Station” caberia fácil em qualquer disco no INXS e “Follow me” deve ter sido composta com o objetivo de entrar na trilha sonora de “Crepúsculo”. E por aí o disco segue a mesma toada com “Big Freeze” e “Save me” (uma baladinha medonha por sinal).
Algumas referências dos discos anteriores estão lá. “Survival”, música que foi usada como tema das últimas olimpíadas, remete à influência visível que a banda sofre do Queen (a estrutura operística da música lembra, muito distantemente, “Bohemian Rhapsody). Em termos comparativos dos discos anteriores basta ouvir “United States of Eurasia” e “Knights of Cydonia” (essa sim, utiliza o melhor do que o Queen pode influenciar a banda). Ao escutar “Explorers” virá à cabeça do ouvinte mais atento “Invincible”.
Mas nem tudo é escuridão nesse disco novo. “Liquid State” é o tipo de música que mais se aproxima da sonoridade pesada que consagrou a banda. Desta feita, os efeitos eletrônicos são extremamente bem utilizados, ajudando a dar uma sonoridade diferente a algo já conhecido. Em “Animals” sai o eletrônico e em uma rara oportunidade do disco ouvimos o que o trio pode oferecer de melhor: um som marcado pela bateria, com uma influência melódica e com uma guitarra coesa e sem firulas. Possivelmente a melhor música do disco.
Mudanças dentro de uma banda de rock quase sempre são bem-vindas. Quando eu digo “quase”, cito imediatamente o exemplo do Ramones. Quando tentaram fazer algo muito diferente no disco “End of the century” realizaram um disco detestado pela crítica, pelos fãs e posteriormente os mesmos declarariam não ter ficado satisfeito com o trabalho. O Muse é uma banda que possui um leque muito maior de variação musical do que o Ramones (antes que os fãs de Ramones comecem a chiadeira, não estou falando que por causa disso o Muse é melhor) e, portanto, se arriscam mais e deslizes como esses podem acontecer. Mas como diriam os Mutantes em uma de suas músicas “Não queira dar um passo mais largo do que suas pernas podem dar”. Espero que o trio inglês tenha aprendido que eletrônico, definitivamente não é a praia deles.