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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Cavalera Conspiracy no Recife - por Giba Carvalho

     


O sobrenome "Cavalera" está marcado de forma única na história da música mundial. É bem verdade que o rock n´roll nunca pegou no Brasil, mas estes dois caras foram os responsáveis (junto aos demais membros do Sepultura) pelo patamar mais alto que uma banda brasileira chegou na história da música mundial. Em virtude disto, e pela reverência e devoção dos "camisas pretas", esperava as dependências do Clube Internacional tomadas na última noite de sábado. Ledo engano. 

Acredito que no máximo mil pessoas presenciaram uma noite histórica para os fãs dos Trash Metal. Na opinião do público em geral, por dois fatores - primeiro o preço do ingresso (R$160,00 inteira - R$80,00 meia-entrada e ainda com o ingresso social a R$90,00 com 1 kg de alimento) e segundo, pela divisão de opções na noite específica da cidade (na mesma noite estava havendo show de Raimundos e de O Rappa). Quando falo sobre o preço do ingresso acima é unicamente porque foi a justificativa que mais ouvi durante a noite para um público tão pequeno. Temos que analisar outras duas causas para debater isto. Os caras tem carreira internacional, trazem todos os equipamentos e equipe com eles e isto aumenta o preço. E pelo fato do pernambucano ser o público mais pseudo-cultural que conheço. Fala aos quatro ventos que transborda cultura, mas, na hora de pagar qualquer ingresso acima de R$50,00, tudo torna-se absurdo! Já nas prévias de carnaval, onde a música não é arte e apenas entretenimento da mesmice, a situação muda sobremaneira, não é verdade?

Vamos ao que de fato é relevante. Confesso que minha mente fez uma viagem no tempo. Voltei a meados de 1991 quando um amigo de sala gravou numa fita cassete o vinil do "Arise". As audições deste disco foram de extrema importância para minha formação musical e de momentos de extremo terror para os vizinhos de prédio. Até quando fui citado na reunião de condomínio por ouvir música do demônio em volume ensurdecedor e não deixar que as pessoas ouvissem o Jornal Nacional em paz. 

O show foi um espetáculo à parte. Desde quando ouvi o primeiro disco do Cavalera Cospiracy tive a real certeza de que os irmãos Cavalera, quando juntos, são mestres na hora de compor porradas. O estilo revolucionário e provocativo de Max aliado ao vigor visceral de Igor com as baquetas é combustão pura! O setlist foi baseado nos dois álbuns da banda - Inflikted (2008) e Blunt Force Trauma (2011) e vários sucessos da carreira junto ao Sepultura como: Beneath the Remains, Desperate Cry, Innerself, Arise, Attitude, Roots Bloody Roots, dentre outros. Ainda tiveram tempo de tocar duas novas - Babylonian Pandemonium e Bonzai Kamikaze. Estas duas são um ótimo prenúncio do disco novo que será lançado ainda neste segundo semestre e que até agora tem o nome de Pandemonium. Mark Rizo, guitarrista da banda, afirmou em recente entrevista que as gravações foram ótimas e classificou o novo trabalho com rápido e brutal.


Seria muito injusto classificar o show da Cavalera Conspiracy apenas como "saudosista". Para o bem dos amantes do rock mais pesado, os irmãos Cavalera ainda estão em forma e conseguem apresentar um trabalho de qualidade. Concordo com a afirmativa do amigo Fábio Samico - "Velho, é a hora que separamos os meninos dos homens! Os caras são foda!" Infelizmente, o público do Brasil não presta mais atenção nestas bandas que foram divisores de águas. Sinto-me extremamente honrado e feliz por ter visto dos dois meus heróis juntos e ao vivo. E, ainda penso, que futuramente o Sepultura (a maior banda da história do Brasil) voltará a tocar junta com sua formação clássica. 

CLUBE INTERNACIONAL DO RECIFE - Prestem atenção na estrutura oferecida ao público presente.

Foto 1: fios que ligavam o palco e a iluminação totalmente imersos em água que escorria das infiltrações. Risco total de acidente!


     
Fotos 2 e 3: mictórios entupidos, com canos de passagem furados e um "mar de mijo e lama de mijo" no banheiro masculino.


   

Não aconselho a ninguém qualquer evento no referido clube. Uma vergonha!

Créditos da foto do Setlist - issu.com/RockMeeting

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Metallica - A Biografia - por Fernando Lucchesi


Confesso: Nunca fui um grande fã do Metallica. Gostava de muitas músicas do álbum preto, algumas poucas da fase Load/Reload e mais uma música ou outra. Sempre tive preconceito com a fase considerada mais pesada do Metallica, ainda mais pelo termo “Trash”, cuja simples menção já me provoca reações alérgicas. Mas todo esse preconceito foi derrubado depois de ler Metallica: A biografia, de autoria do jornalista inglês Mick Wall, responsável por outra excelente biografia de banda “Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra”, sobre a carreira do Led Zeppelin.
O livro, de certa forma, corrobora o que já tinha sido visto antes no documentário “Some kind of monster”, mas obviamente vai mais além, pois resgata memórias do início do Metallica, antes mesmo de Cliff Burton se juntar à banda. No livro, é possível compreender como um jovem tenista europeu frustrado com a carreira (sim, Lars Ulrich, na sua adolescência, tentou se profissionalizar como tenista) e um jovem retraído, que teve uma educação religiosa rígida, conseguiram se juntar e formar os alicerces do gênero que seria conhecido como Trash Metal.
Apesar de o autor conhecer os integrantes da banda e ter uma certa proximidade com Lars Ulrich, não há condescendência do autor para com nenhum dos integrantes. Vários temas espinhosos são tratados, inclusive um que muitos poucos se aventuram a falar, que é a saída da banda de Ulrich, orquestrada por Burton-Hetfield, pois os dois acreditavam que o baterista estava estagnado tecnicamente. A saída nunca chegou a se concretizar, pois alguns dias depois Burton viria a falecer. Não há como negar que o livro está concentrado nas figuras fundadoras da banda (Hetfield/Ulrich), mas isso não impede de termos passagens bastante extensas dos outros integrantes, principalmente de Cliff Burton, pois foi ele quem deu um direcionamento musical para a banda. Os fatores que levaram à sua morte são minuciosamente analisados e a tragédia chegou a pôr em cheque a continuidade da banda.
Outro aspecto bastante relevante é a guinada dada pela banda com o “Álbum preto”. Os fãs mais fervorosos do estilo rápido e agressivo da banda ficaram espantados, negativamente, quando do lançamento do disco. O produtor Bob Rock, conseguiu extrair da banda a sonoridade que ela queria: um som mais desacelerado, mas que não deixava o peso de lado. As vendas do disco catapultaram o Metallica ao posto de maior banda de Heavy Metal, a ponto de competirem em termos de vendagem com fenômenos pop, como Madonna e Michael Jackson, mas também deu munição para os detratores da banda acusá-los de se “venderem ao sistema”. O único assunto que visivelmente irrita os integrantes da banda, principalmente Ulrich, é a batalha judicial movida pela banda contra o Napster. À época, a banda tinha plena convicção do que estava fazendo, mas o tempo mostrou que ela estava equivocada e isso provocou uma reação violenta dos próprios fãs da banda.
Por fim, mesmo que você não goste da banda, ou como eu, que tinha preconceito com o som inicial da banda, esqueça e aproveite essa excelente biografia.